Na noite de ontem (25), aconteceu a tradicional cerimônia do Oscar.
Mas, de tradicional, só as indicações (que ainda sofrem duras críticas por não serem tão amplas como poderiam).
Em meio à pandemia, a realização do evento sofreu com vários fatores, incluindo uma mudança na elegibilidade, tendo em vista que os filmes puderem concorrem sem a exibição em salas de cinema devido à pandemia, além da prorrogação da data do evento. Também vale destacar a ausência de um apresentado fixo e p caráter mais “cinematográfico” da cerimônia, dirigida por Steven Soderberg.

Destaque para a mudança na ordem de entrega do prêmio de melhor filme. Costumeiramente, é o mais esperado e o último da noite, no entanto, ela veio antes das estatuetas de Melhor Atriz e Ator.
Respeitando todos os protocolos de segurança, ocorreu em Los Angeles com um grupo reduzido de convidados presentes e outros que participaram via link ao vivo.

Sem grandes surpresas, Nomadland foi coroada com três Oscars: Melhor Direção, Atriz e Filme do Ano. Chloé Zhao entrou para a história junto à Kathryn Bigelow, sendo as duas as únicas mulheres vencedoras em Direção.
A Netflix foi a rainha dos streamings nas indicações, no entanto, acabou levando somente 8 estatuetas, tendo o cinema “convencional” levado a melhor esse ano.

Nas maiores categorias, atrizes e atores, os vencedores foram Anthony Hopkins, por Meu Pai, Frances McDormand, por Nomadland, Daniel Kaluuya, por Judas e o Messias Negro, Yuh-Jung Youn, por Minari.

Mais curta, a premiação suprimiu as apresentações musicais, mas deixou os ganhadores com tempo ilimitado de discurso, não tendo a famosa “música para cortar quem falou demais”. Aliás, houve uma grande quantidade de momentos emocionantes nas falas, com palavras de esperança, busca por mudanças quanto à violência, dedicatórias lindas às pessoas que infelizmente já não estão entre nós, frases icônicas, cômicas e até tragicômicas. Teve de tudo! (Obs: nível extra de fofura e comicidade vindo do discurso da Yuh-Jung Youn. Que senhora demais!)

Fato surpreendente da noite foi a vitória de Anthony Hopkins, ainda que ele estivesse bem cotado, muitos acreditavam que o Oscar iria homenagear a excelente atuação de Chadwick Boseman em “A Voz Suprema do Blues” com uma estatueta póstuma. (O que foi uma decepção para grande parte dos espectadores).

Durante as apresentações dos indicados, houve o compartilhamento de detalhes pessoais de cada um, como suas trajetórias para chegarem até onde estão (por exemplo, aqueles que trabalharam em funções distintas dentro das produções, os que mudaram de área, que batalharam em cada etapa possível).

Ainda que muitos entendam o Oscar como algo cansativo e cheio de velhos hábitos, pudemos encontrar um dia de adaptações, com mudanças por conta de todas as novas necessidades trazidas por uma pandemia, mas com possibilidade de trazer lágrimas aos olhos (não foram esquecidos profissionais da saúde, familiares e gente que muda o mundo todo dia com seus atos de bondade) e sorrisos ao rosto (e até gargalhadas, sério, todo mundo tem que ver a dancinha da Glenn Close!). Resumindo, foi como a experiência de ver um filme. Com altos e baixos, algumas questões de roteiro, mas sempre com altas possibilidades de nos cativar.

Agora que terminou a temporada de premiações, ficam os vencedores e indicados para vermos e revermos em streamings ou aguardar a chegada daqueles que estão para estrear.
E que a cada ano tenhamos mais diversidade e bons filmes de todo o mundo.

Confira a lista completa de vencedores:

Melhor Filme
Meu Pai
Judas e o Messias Negro
Mank
Minari
Nomadland
Bela Vingança
O Som do Silêncio
Os 7 de Chicago

Melhor Ator
Chadwick Boseman, por A Voz Suprema do Blues
Anthony Hopkins, por Meu Pai
Riz Ahmed, por O Som do Metal
Steven Yeun, por Minari
Gary Oldman, por Mank

Melhor Atriz
Frances McDormand, por Nomadland
Viola Davis, por A Voz Suprema do Blues
Vanessa Kirby, por Pieces of a Woman
Andra Day, por Estados Unidos vs Billie Holiday
Carey Mulligan, por Bela Vingança

Melhor Direção
Chloé Zhao, por Nomadland
Lee Isaac Chung, por Minari
Emerald Fennell, por Bela Vingança
David Fincher, por Mank
Thomas Vinterberg, por Another Round

Melhor Ator Coadjuvante
Sacha Baron Cohen, por Os 7 de Chicago
Leslie Odom, Jr., por Uma Noite em Miami
Daniel Kaluuya, por Judas e o Messias Negro
Paul Raci, por O Som do Metal
Lakeith Stanfield, por Judas e o Messias Negro

Melhor Atriz Coadjuvante
Yuh-Jung Youn, por Minari
Olivia Colman, por Meu Pai
Maria Bakalova, por Borat: Fita de Filme Seguinte
Amanda Seyfried, por Mank
Glenn Close, por Era uma Vez um Sonho

Melhor Roteiro Adaptado
Chloé Zhao, por Nomadland
Kemp Powers, por Uma Noite em Miami
Christopher Hampton, Florian Zeller, por Meu Pai
Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Dan Swimer, Peter Bayhman, Erica Rivinoja, Dan Mazer, Jena Friedman e Lee Kern, por Borat
Ramin Bohrani, por Tigre Branco

Melhor Roteiro Original
Lee Isaac Chung, por Minari
Aaron Sorkin, por Os 7 de Chicago
Will Berson, Shaka King, Keith Lucas e Kenny Lucas por Judas e o Messias Negro
Emerald Fennell, por Bela Vingança
Abraham Marder, Darius Marder e Derek Cianfrance, por O Som do Silêncio

Melhor Filme Internacional
The Man Who Sold His Skin – Tunísia
Collective – Romênia
Better Days – Hong Kong
Durk – Dinamarca
Quo Vadis, Aida? – Bósnia e Herzegovina

Melhor Fotografia
Nomadland
Mank
Relatos do Mundo
Os 7 de Chicago
Judas e o Messias Negro
Melhor Documentário
Collective
Time
My Octopus Teacher
The Mole Agent
Crip Camp

Melhor Documentário em Curta-Metragem
Colette
A Love Song for Latasha
Hunger Ward
Do Not Split
A Concerto Is a Conversation

Melhor Curta-Metragem
Feeling Through
The Letter Room
The Present
Two Distant Strangers
White Eye

Melhor Animação
Soul
Wolfwalkers
Onward
Shaun, o Carneiro – O Filme – A Fazeda Contra-ataca
A Caminho da Lua

Melhor Curta de Animação
Burrow
Genius Loci
If Anything Happens I Love You
Opera
Yes-People

Melhor Canção Original
Husavik (Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga)
Hear My Voice (Os Sete de Chicago)
Speak Now (Uma Noite em Miami)
lo Sì (Seen) (Rosa e Momo)
Fight For You (Judas e o Messias Negro)

Melhor Trilha Sonora Original
Soul
Relatos do Mundo
Minari
Da 5 Bloods
Mank

Melhor Edição
O Som do Silêncio
Os 7 de Chicago
Bela Vingança
Nomadland
Meu Pai

Melhor Figurino
A Voz Suprema do Blues
Emma
Mulan
Mank
Pinocchio

Melhor Cabelo e Maquiagem
Emma.
Era Uma Vez um Sonho
A Voz Suprema do Blues
Mank
Pinocchio

Melhor Edição de Som
O Som do Silêncio
Relatos do Mundo
Mank
Greyhound: na Mira do Inimigo
Soul

Melhor Design de Produção
Mank
Relatos do Mundo
Tenet
A Voz Suprema do Blues
Meu Pai

Melhores Efeitos Visuais
Love and Monsters
O Céu da Meia-Noite
Mulan
The One and Only Ivan
Tenet

Texto: Andressa Rivas

Foto: Divulgação (retirada da internet)